Sexta-feira, 30 de Abril de 2010
Fim!

Este blog começou em Abril de 2006, e termina, hoje 29 de Abril de 2010 - mais um os meus ciclos quase perfeitos.

Precisamos de puxar por nós, levar-nos a outros sítios e procurar outras coisas.

Este blog esgotou-se hoje, é tempo de seguir para o próximo passo.

Muito obrigada a todos que viveram esta experiência comigo. Até sempre!



publicado por patricia às 11:28
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Terça-feira, 27 de Abril de 2010
Para quem gosta de café...

Um dia faço um inter-rale.

Um dia compro uma guitarra eléctrica.

Um dia acabo o curso.

Um dia saio de casa para tomar café e volto um mês depois.

Um dia digo “eu amo-te”.

Um dia deixo de comer carne.

Um dia vou olhar-me ao espelho e achar-me gira.

Um dia vou dar aulas na minha faculdade.

Um dia faço as malas e vou morar para Londres.

Um dia entro em trabalho de parto.

Um dia venço um peddy-tascas.

Um dia entro em licença sabática e vou trabalhar para os Médicos Sem Fronteiras.

Um dia faço mergulho.

Um dia aprendo a dançar.

Um dia faço um voto de silêncio.

Um dia entro num taxi e grito: Siga aquele carro!

Um dia corto o cabelo curto.

Um dia mando uma carta a todas as pessoas que admiro.

Um dia dou a minha televisão e nunca mais compro outra.

Um dia encontro-te.



publicado por patricia às 20:44
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Sábado, 10 de Abril de 2010
Felicity

Aproveitei estas férias da Páscoa para ver uma série, de que me lembrava com estranha nitidez, da minha infância. "Felicity" começou em 1998, e deve ter passado uns anos depois na rtp1. Bem, é só mais uma daquelas séries americanas, feitas de histórias para vender, a tentar falar de pessoas "normais"... Apesar disso, foi bom vê-la. A história é o relato, às vezes encantador, às vezes... menos encantador, da vida de uma caloira, desde que chega ao seu primeiro ano de faculdade, até algum tempo depois de se formar.

Ver todos aqueles episódios seguidos, fez-me lembrar o meu próprio percurso universitário... por um lado parece que foi ontem que cheguei a Coimbra, por outro, bem... já mudou tanta coisa, já estive em tantos lugares, conheci tantas pessoas, ambicionei tantas metas! Lembro-me que quando a minha irmã entrou na faculdade trouxe um dia para casa uma caneta que dizia "os melhores quatro anos da tua vida"... na altura fiquei tão perplexa a segurar aquela caneta, tão assustada e maravilhadas com as possibilidades longínquas que ela encerrava. Hoje parece-me que trazia consigo a maior das verdades.

Por vezes, quando me encontro em casa, a queimar tempo de maneiras perfeitamente inúteis, sou assombrada por esta ideia, de que nunca mais vou ter esta idade, nem todas estas maravilhosas circunstancias à minha volta: esta liberdade, este espirito de descoberta, os interesses dos meus amigos alinhados com os meus. Quandou volto das férias, sinto o cheiro do meu quarto, e sinto o maior dos confortos... sou tão feliz aqui! O sol brilha tão intensamente sobre as nossas vidas, que, às vezes, nos deixamos ofuscar, acreditamos que este momento vai durar para sempre, que estamos sempre a tempo de ir tomar café com esta pessoa, de ouvir o problema daquele amigo, de fazermos algo que queremos mas para o qual nunca arranjamos tempo. A questão é que o tempo vai passando, como a areia desce sem parar da ampulheta. Daqui a três (curtos) anos, quando estiver a encaixotar a minha vida, para a enviar sabe Deus onde, vou certamente estar a sentir algo forte, porque a mudança desperta em nós sempre emoções fortes: medo, excitação, nostalgia, arrependimento, negação... Espero que esse momento seja feliz, haverá sempre aquele frio na barriga, isso, é certo, nunca vai mudar, mas desejo, desesperadamente,  sentir o conforto nostálgico de ter tido seis maravilhosos anos, que me levaram a um fantástico próximo nível.



publicado por patricia às 23:10
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Sábado, 20 de Março de 2010
Máquina Fotográfica Nova

 

 

 

 



publicado por patricia às 23:05
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Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010
Mudanças de cheiro

Somo assim, tão pouco coerentes. Cheiramos a novo, a descartável,  a medíocre experimentalismo. Cheiramos a ilusão, a ingenuidade, a folha de papel vendida à resma. ou não cheiramos de todo, preferimos a indiferença... isso? isso decido depois!

Cheiramos a perfume barato, daquele que deixa um cheiro tão forte quando o borrifamos que infestamos a rua toda ao sair de casa. Meia hora depois já não se cheira a nada, foi-se o perfume, ficou o cheiro da pele, o suor, o perfume do amaciador, o odor das pessoas ao pé de nós. Talvez as pessoas não mudem, talvez de verdade nunca cheguem a ser nada, sorriem às coisas mas nunca as abraçam, seduzem caprichosamente (ou deixam-se seduzir) por definições de estação, saídas de uma qualquer esquina sombria.

Ser constante e coerente é um luxo, que cheira de certo modo àquele cavalheirismo que veneramos deliciados nos filmes, e cuja existência nos faz rir.



publicado por patricia às 23:47
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Candido

22 de Dezembro de 2009

A suprema felicidade reside na máxima simplicidade. Quanto menos se espera, se questiona e se ambiciona, mais fácil se torna ser feliz. A felicidade não sorri aos que de alguma maneira alcançaram mais ou chegaram onde ninguém tinha chegado. Porque para o alcançar é precisa uma vontade que nos puxe, nos empurre abruptamente sem pedir licença, e tal vontade não dá espaço a "felicidades", por ser de todo o seu contrário.

"Trabalhemos sem filosofar - disse Martin -, porque é o único meio de tornar a vida suportável".

 

(Agora percebo que desde que abdiquei do que a ferros perseguia para alcançar a felicidade, me tornei uma pessoa muito mais feliz)



publicado por patricia às 23:39
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Sábado, 15 de Agosto de 2009
O post da 11111 visitas...

Há uns tempos atrás o contador marcou as 11111 visitas. É um numero bonito, cheio de simetrias, repetições... é um número de 1's alinhados e graciosos. Mas acima de tudo é um número... grande! Já passaram mais de três anos desde que este blog começou. Na altura escrito de outra maneira, por uma pessoa diferente da que sou hoje. A minha vida virou do avesso e voltou a virar, girou sete vezes e andou em frente, fazendo curvas, parábolas, tracejados... e o blog foi caminhando com ela. Às vezes esquecido, outras vezes bombardeado de coisas já tantas vezes ditas. Quando leio os posts mais antigos vejo quão pacientes e generosas foram as pessoas por, desde então, os lerem e cá voltaram para ver o que havia de novo.

Já pensei em apagá-lo, começar outro, pedir a outras pessoas para o escreverem comigo, dar-lhe outro nome... mas ele sobreviveu a tudo.

Este blog é como um álbum de família... com fotos recentes, e também fotos antigas, nas quais figuramos com roupa ridícula e feições diferentes.

Já foi muito, chegou a ser quase nada. Um prazer, uma obrigação saudável, uma libertação...

 

A todos os que leram, que comentaram, que me mandaram e-mails, que colocaram links nos seus blogs, aos que entraram aqui por engano e leram o primeiro post até ao fim... O MEU MUITO OBRIGADA!



publicado por patricia às 01:00
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Calor

O meu corpo é o melhor exemplo de inércia que conheço. De férias, grita e contorce-se com vontade de continuar na correria do mês passado. Quando chegar a altura de correr vai cair inanimado no meu beliche e implorar-me que fique, que durma, que não dê mais um passo sob risco de esgotar o resto de energia que a custo conserva.

 

Hoje é um dia de nostalgia. Um dia de saudade. Saudade dos sítios que não visitei, das pessoas que não conheci, das cartas que não escrevi. Hoje é o dia do que não fiz e do que não sou. Das pessoas em que não me tornei e dos livros que não li. Hoje esqueço que sou feliz, para neste calor que me entorpece recordar o que não fui.



publicado por patricia às 00:25
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Terça-feira, 11 de Agosto de 2009
A abandonadora de pessoas!

Com o verão voltam as insónias! Quando se passa uma (boa!) parte do dia a dormir e a outra a descansar é difícil voltar a adormecer. As insónias fazem-nos pensar e eu não gosto de pensar antes de dormir. A nossa alma deve pairar descansada enquanto adormecemos, senão perde-se a essência do sono: Paz! As minha insónias são incapacitantes! Apetece-me dormir, mas não consigo, e acabo por não conseguir fazer mais nada.

Como me apetece dormir não consigo começar nada consistente: não consigo ler porque tenho sono e me distraio, não consigo fazer origamis porque não estou suficientemente concentrada... É triste porque gosto muito de dormir!

 

Às vezes penso que sou uma abandonadora de pessoas! Naquele momento estou, e se estou lá estou mesmo lá, mas depois porque naquele momento eu estive mesmo lá as pessoas pensam que vou estar mesmo lá para sempre! E quando olham desapareci!

Se as pessoas me chamam eu volto, mas como eu sempre vinha sem ser chamada, as pessoas não chamam... e eu desapareço!

Porque vou e volto depressa demais, corro e ando e giro e durmo horas a fio exausta. E quando reparo estou num sítio diferente. Sou inconstante, inconsistente, mal estruturada, feita com cálculos errados, quase inexistente. Agora sou um bocadinho aqui, um bocadinho acolá, agora não sou nada em lado nenhum.

As minhas raízes - essas leva-as o vento, não tenho tronco, cresço e sigo para qualquer lado. Trepo o beiral da casa, subo ao telhado, desço ao pé da janela! Lá trás - já não sou eu!

Agora paro e penso! E sofro, porque não sou ninguém! Alguns vislumbram-me:"tinha cabelo e olhos escuros, parada ao pé da varanda, sorriu-me, depois ficou estranha, parecia estar a pensar em alguma coisa. Quando voltei a olhar já lá não estava!"



publicado por patricia às 02:52
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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
Histologia - a minha cadeira favorita!

Terminada a época de exames, sobram, no meio da minha agenda, pequenos fragmentos do desespero das horas consecutivas e intermináveis de estudo...

 

                                                                                                                                         12 de Junho de 2009

 

Lembrar a mim mesma o porquê de estudar Histologia e cercar-me de boas razões para o fazer:

 

1. Então... do início: Histologia é uma cadeira. Eu quero fazer as cadeiras todas. Logo eu quero fazer Histologia. Para conseguir fazer Histologia, tenho que estudar. Poderia atrever-me a concluir que, no fundo, quero estudar Histologia - (hum... demasiado rebuscado). 

2.Os meus pais ficam felizes se eu fizer as cadeiras todas (aplicar o raciocínio anterior para de novo concluir que tenho/quero (??) estudar histologia. 

3. Se chumbar este ano, terei de estudar tudo novamente para o ano. O que leva a que:

   a) o que já estudei seja inútil, uma vez que não me vou lembrar de rigorosamente nada do que estou a estudar agora no próximo ano;

   b) acabe por estudar no minimo o dobro do que estudaria se fizesse já a cadeira agora (devido a 3.a) ).

   c) Terei de ir novamente às aulas práticas.

        O que implica:

               c1) perda de tempo, que poderia gastar noutras coisas (por exemplo DORMIR);

               c2) Infelicidade e depressão (umas vez que as aulas irão continuar a ser... entediantes);

               c3) Terei aulas com os caloiros, os quais me adoram, devido à intensa (quiça... traumatizante) actividade praxistica que desenvolvi ao longo do ano - o que agrava o ponto 3.c2).

4. Todos os meus colegas estão a estudar Histologia neste momento. 

5. Se não fizer Histologia na época normal arrisco-me a chumbar às cadeiras que vou fazer na época de recurso. Exemplos: Imunologia e Genética.

   O que implica:

   a) Risco de chumbar de ano - de que resulta marginalização social (ver 3.c3) ).

   b) Diminuição de auto-estima → DEPRESSÃO!!

   c) Pais pouco satisfeitos.

nota: não esquecer o feedback positivo entre s várias alíneas, de que resulta: Diminuição do estado geral de felicidade. 

6. Quanto mais estudar hoje, menos terei que estudar "amanhã" (num cenário ideal em que a matéria algum dia se esgota). Hoje não posso fazer coisas que me deixam feliz, porque estou ocupada com o sentimento de culpa resultado de não estar a estudar. Por outro lado, "amanhã" há um mundo de possibilidades, porque irei sentir-me satisfeita comigo mesma por já ter estudado (ausência de sentimento de culpa → dia com mais potencial).

7. Há uma recompensa! Irei certamente obter resultados mais positivos que no semestre passado.  (recordar nota de Histologia I : 9.74 valores).

8. Médio/ Longo prazo:

   Terei que fazer eventualmente esta cadeira para passar para o sexto ano, e, depois deste, ser médica. Aplicando um raciocinio lógico e dado que todas as outras cadeiras do curso são mais agradáveis que histologia: faço histologia → sou praticamente médica. Como ser médica é uma possível fonte de satisfação/felicidade ESTUDAR HISTOLOGIA FARÁ DE MIM UMA PESSOA FELIZ!

 



publicado por patricia às 21:04
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